domingo, novembro 30, 2003
a minha mente acordou descontente , procurava um biscoito de alegria , uma inquietude insaciável faminta de cores , reflexo da noite de falsos momentos , daquela noite que respirava um grito de liberdade de opressões forçadas por obrigações , não fui livre , não fui melhor , faltavam aqueles olhos brilhantes duma cara que julgo desconhecer , as palavras saborosas soletradas docemente por uma boca que procurasse um beijo ,por um calor que me descobrisse o peito magro que me afastasse deste frio que me percorre , que abusa de mim .O dia nasceu escuro mas a noite espera-se luminosa. A arvore de natal teima mais um ano em invadir a pacata sala .
sábado, novembro 29, 2003
querida tv guia:
tenho uma cadela que vê tv , fica horas especada à frente da televisao sendo que regra geral só interrompe o visionamento no tempo da publicidade retomando quando a publicidade tem como sujeitos quer animais quer pessoas .Cheguei à conclusão que ama os documentários da vida animal do canal odisseia ,reagindo com as mais variadas emoções no decorrer do programa , quando por exemplo uma zebra é atacada por um leão fica excitada ao ponto de saltar do sofa e começar a ladrar , a sua concentração é extraordinária .Será que se pode contar como audiência?
quarta-feira, novembro 26, 2003
mea culpa
Hoje falhei
segunda-feira, novembro 24, 2003
Almada & Tudo
"Traça o retrato de Almada Negreiros (1893 /1970), com base nos momentos da vida do pintor em que mais transparece a sua luta interior pela afirmação intelectual de uma obra com duas forças de expressão: a sua poesia na pintura, ou a pintura como forma de exprimir a sua poesia." in publico.pt Almada & Tudo. RTP 2. Terça 25 às 19h00.
sábado, novembro 22, 2003
soletrar palavras
parece ser assim que o mundo se percorre , ideias reinventadas ,sopros ja sentidos , cores decoradas enfim um mundo incolor ,não farto de brilhantismos incognitos e desapreciados , originalidades ja tocadas não geniais , perdidas por descobertas , longe dos memoráveis ,longe de um classicismo que talvez por sorte pode abrir caminho para o dito precipicio dos modernos que nada nos oferece de novo , pois talvez tudo ja foi dito , no essencial que "queda" por dizer .
sexta-feira, novembro 14, 2003
video meliora , proboque , detiora sequor (lat.)
Vejo o melhor , aprovo-o , sigo o pior.
terça-feira, novembro 11, 2003
o quarto poder
A propósito dos media , recordo-me de um livro de josé pacheco pereira "desesperada esperança" nele é focada toda a influência , todo o poder , toda a alienação a que um cidadão não poderá estar alheio , os media movimentam , corrompem ,moldam consciências , opiniões , factos , entidade criadora em si , todas as questões em torno desta instituição , enchem bibliotecas , sendo que qualquer possivel abordagem a respeito destes não passara de uma poeira cósmica neste imenso universo , inalcansavel e incompreensivel para um cidadão digamos médio,tantas coisas que nos escapam.. por isso como que se de uma religião tratasse..quando não se compreende é tranformada em mistica ,repousada no topo de um altar ,vacinada ,imune à força controladora de um outro poder( a alta autoridade para a comunicação social , não passara neste termos de uma vela ,que pouca luz oferece nesta imensa catedral) . O jornalismo é feito como se de politica tratasse , corrijo , é politica no seu elementar termo , não se reduz ao termo "polis"(cidade) mas sim ao mundo , sociedade , povo .Todo o seu discurso criador resulta de uma pretensão de querer chegar às nossas consciências ,ao nucleo central das nossas opinioes , não se limitando a ser um mero visitante , uma presença , mas sim um virús a que abrimos as portas , e que depois de instalado corroi todas e quaisquer influências ja antes criadas .Recordo-me de um pequeno exemplo feito por Pacheco Pereira em que refere que o momento da história do homem em que mais pessoas estiveram a fazer a mesma coisa ao mesmo tempo, diga-mos alienadas a um momento , a um acontecimento , a um conjunto de imagens foi (e saliento que este livro foi editado antes do "11 de setembro") o funeral da princesa Diana , digamos que naquele dia x pela primeira vez na nossa curta história x biliões de pessoas encontravam-se(perdiam-se) no mesmo ritual , a reflexão que poderá surgir daqui poderá ser que nunca antes se viu tão grande força , tão abrangente (nem o império romano..).
Por isso nesta nossa evolucão e partindo da ideia de que todo o amadurecimento resulta da luta , das forças do poder , e sabendo que neste primeiro(ou 2º) "round" os media vencem , pergunto-me se numa vindoura democracia este grande poder não terá de passar por uma legitimação dada pelo povo , não terão estes orgãos no futuro de ser eleitos , por mandatos , na medida em que o serviço público foge da força do povo com as privatizacões (sendo que o poder que privatiza , se não souber substalecer-se nos seus interesses será visto pela história como um tolo) , já estou a ver redações a serem eleitas , pivots , reporteres , comentadores , fazendo campanha politica , imprimindo as suas faces em bandeiras que se possam empunhar num qualquer comicio "jornalistico" . Certos países adoptaram na sua constituição o mecanismo de eleição do poder judicial , por isso não é estranho ver juizes a fazer campanha , menos estranho será um dia ver um jornalista a fazer política( como se eles não o fizessem ja...).
Isto tudo a proposito de uma conversa ouvida do director do expresso com uma qualquer pseudo-jornalista, no seu novo livro , em que retrata os doces(amargos) anos como director de um jornal que é uma istituição neste pequeno país plantado à beira-mar...
Por isso nesta nossa evolucão e partindo da ideia de que todo o amadurecimento resulta da luta , das forças do poder , e sabendo que neste primeiro(ou 2º) "round" os media vencem , pergunto-me se numa vindoura democracia este grande poder não terá de passar por uma legitimação dada pelo povo , não terão estes orgãos no futuro de ser eleitos , por mandatos , na medida em que o serviço público foge da força do povo com as privatizacões (sendo que o poder que privatiza , se não souber substalecer-se nos seus interesses será visto pela história como um tolo) , já estou a ver redações a serem eleitas , pivots , reporteres , comentadores , fazendo campanha politica , imprimindo as suas faces em bandeiras que se possam empunhar num qualquer comicio "jornalistico" . Certos países adoptaram na sua constituição o mecanismo de eleição do poder judicial , por isso não é estranho ver juizes a fazer campanha , menos estranho será um dia ver um jornalista a fazer política( como se eles não o fizessem ja...).
Isto tudo a proposito de uma conversa ouvida do director do expresso com uma qualquer pseudo-jornalista, no seu novo livro , em que retrata os doces(amargos) anos como director de um jornal que é uma istituição neste pequeno país plantado à beira-mar...
sexta-feira, novembro 07, 2003
cheto fuori , commosso dentro (it.)
quieto por fora e agitado por dentro
quinta-feira, novembro 06, 2003
merece
" Happiness "· EUA · 1998 · De Todd Solondz , segunda , 10 de Novembro lusomundo gallery.
domingo, novembro 02, 2003
um acaso
Recordo-me de um programa visto ja algum tempo em que um físico em final de vida caminhava junto ao seu entrevistador ,falava sobre si , sobre pequenas coisas , a vida , a morte ,partilhava o seu saber ,devia ser outono , o chão que pisava coberto de folhas castanhas cor de morte.. tentava explicar a existencia de uma simples fórmula matemática que pudesse explicar a razão de todas as coisas , não duvidava da sua existência mas sabia..garantia-o que não seria ele a descobri-la , que ela estava lá à espera de ser descoberta , que talvez não fosse a humanidade suficiente madura para a compreender , ontem vi um programa alemão sobre a quinta da Maria João Pires em que numa "workshop" um grupo de músicos falava sobre física , referindo-se que as grandes descobertas da física foram feitas por acasos..este velho físico que caminhava..defendia igualmente e descrente durante quase toda a sua vida na existencia de um ente supremo , de deus , que depois de compreender grande parte daquilo que o rodeia lhe era impossível rejeitar a existencia de Deus , pois a vida fazia tanto sentido.. a forma como cada pedaço estava interlaçado formando vários todos numa perfeição universal , impossível de ter resultado de um acaso , pergunto-me se esta convicção não resultaria de um medo natural de alguém que se vendo no fim de uma rota tentasse impôr a si mesma , uma mentira , uma doce mentira que pudesse pôr fim às suas dúvidas.